Crônicas

Sonho: Escada do Tempo

No sonho de hoje experimentei uma sensação muito gostosa de completude, pois cada detalhe do sonho era muito claro e o sonho foi bastante ávido.

Eu era um homem jovem com uniforme de uma empresa de serviços, pelo que lembro; calça, blusa de manga comprida, na cor cinza ou azul. Entrei no prédio em que faria o serviço, de limpeza, manutenção ou restauração, não tenho certeza. Era uma escola e o prédio era antigo, à semelhança do Cotuca quando na Rua Culto à Ciência, em Campinas. Entrei e fui recebido pelo diretor, creio. Ele me mostrou a escada em que eu trabalharia e deixou-me. Não havia mais nenhuma viv’alma no prédio além de mim. A luz era pálida, como de um dia nublado. A escada era linda, completamente de madeira, em cor clara, caramelo, muito sólida e firme, larga o suficiente para passar duas ou três pessoas lado a lado.

Com uma vassoura eu passava um produto nos degraus, em toda a madeira de cada degrau. Não sei se era algo para remover a sujeira, remover o verniz antigo, proteger a madeira ou um verniz novo. Mas era um tratamento na madeira, seja exatamente para qual objetivo. Comecei no térreo e fui subindo até o primeiro andar, com dois lances de escadas e um platô no meio para inverter a direção dos degraus (90 ou 180 graus, não lembro. Talvez fossem dois platôs, invertendo 90 graus cada um). Recordo-me vagamente de haver uma janela no meio da escada.

Quando cheguei no primeiro andar, encontrei uma moça, de cabelos castanhos curto (com um certo ar e elegância de Susan Calvin), que me indicou a direção de uma sala. Entrei na sala (de aula). Tudo estava bagunçado, como se o local estivesse abandonado há tempos. Penso que passando um amontoado de carteiras, cheguei a um armário no canto da sala e encontrei uma boneca de pano, simples, mas bonita (nada de bonecas assomborsas aqui). Quando a peguei na mão, dei-me conta de que todos ali estavam mortos, inclusive o diretor e, principalmente, a moça. Qualquer pessoa que eu encontrasse ali era um espírito da época em que a escola funcionava; todos já haviam morrido. Virei-me em busca da moça. Percebi que ela havia descida as escadas.

Relutei por um instante se eu podia descer as escadas ou não por conta do tratamento nos degraus. Desci. Não tenho certeza se continuei o tratamento na escada que descia do térreo ao subsolo ou se desci diretamente. Quando cheguei ao subsolo, havia uma garagem com um carro ou um motocicleta no estilo anos 1930. A garagem era espaçosa, com pé direito alto, mas também antiga e abandonada. A moça se encontrava lá. Havia uma paixão entre nós, algo que nos conectava fortemente. Por um motivo que eu não faço ideia qual seja, entramos no carro/motocicleta e saímos da garagem, como se tivéssemos que fugir. Eu pilotava e saí em disparada pelas ruas. Parece-me que havia uma distorção oscilatória no tempo: em ondas, o tempo oscilava entre o passado e o presente, entre a época dela (passado) e a minha (presente).

Eu, sonhador, não sabia aonde iríamos. Mas, eu, personagem do sonho, ia. Virava aqui, virava acolá e ia apressadamente correndo pelo trânsito da cidade. Num dado cruzamento, eu queria virar à esquerda, mas era contra-mão. A moça disse-me que imaginasse que estavámos na época de anos atrás (penso que na época em que ela era viva – e que tínhamos nos conhecido?). Imaginei fortemente e a cidade se transformou em como era: menor, com menos carros e, por isso, com ruas que eram duas mãos. Daí, pude virar à esquerda. Virei e continuei seguindo reto pela rua. O comércio, os postes, tudo voltou a ser como na época de 1930.

Penso que esse era o desfecho do sonho, pois acordei naturalmente.

stair_dream

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