Crônicas

Sonho: fazendo as pazes

Eu havia sonhado e, então, o sonho acabou e eu acordei. Acordei no horário de sempre, 5h29, mesmo com o despertador ligado. Pensei que perderia o sono e desperdiçaria as duas horas a mais que eu tinha nesse dia para dormir. Mas, adormeci e sonhei novamente.

Quando despertei, poucas lembranças do sonho permaneciam retidas na memória…

Havia uma casa distinta de qualquer outra conhecida na realidade, mas na qual eu me sentia familiar no sonho. Havia uma passagem da sala para a varanda obstruída por uma poltrona, facilmente removida se necessário. Era dia e o sol estava forte e a luz era clara. Havia outras pessoas além de mim na casa. Todos interagimos, mas não lembro como. Pairava no ar uma sensação de interior, cidade pequena ou algo que o valha.

Eu saí da casa e fui de carro, sozinho, até o centro da cidade. Eu conhecia bem aquela cidade, pelo menos aquela parte dela, mesmo não tendo lembrança alguma de nada parecido na realidade ou em outros sonhos. Era um misto de cidade pequena com cidade grande (creio que todos os centros urbanos têm um quê de cidade grande, mesmo que apenas nos poucos quarteirões que o compõe). Havia uma avenida principal, movimentada de carros, poluída. Mesmo assim, era possível estacionar na calçada. Parei o carro em frente à uma oficina mecânica e temi pela segurança do carro; ou colidiriam com ele na entrada e saída da oficina ou pensariam que ele precisava de consertos, mesmo não precisando. Voltei a pé para casa pela avenida e encontrei um amigo do trabalho, que disse enquanto cruzávamos um pelo outro sem parar, estar voltando à forma e que o hábito de levar uma garrafa de água consigo estava ajudando bastante.

Depois de chegar em casa, entrei em outro carro. Parece que eu deixara o primeiro naquele local para levarmos esse em que acabei de entrar e termos um meio para voltar. Não faz sentido, eu sei, mas o plano no sonho era semelhante a isso. Quem dirigiu o carro dessa vez era meu irmão. Fiquei no carona. No banco de trás, entrou uma mulher que parecia um travesti, fumando, descabelada, rancorosa e mal-amada. Ela não causava mal-estar em nós dois e não havia atrito algum, desconforto algum. Talvez ela resmungasse algo como finalmente estar sendo aceita. E, de fato, a sensação era de ela ser muito bem-vinda. Ao invés de pararmos o carro na oficina novamente, entramos numa rua anterior que circundava uma pequena praça. Havia vagas para estacionar demarcadas na rua e havia algumas livres. Um rio margeava aquela praça, como se ela fosse uma península. Do lado de cá era cidade, do lado de lá do rio era mata. Meu irmão acabou estacionando numa vaga mais à frente daquelas que eu indiquei e descemos do carro. Um detalhe que me chamou a atenção foi a de o carro comportar-se perfeitamente bem: não havia a angústia de os freios não funcionarem adequadamente nem a tensão de o carro derivar para um dos lados.

Penso que todos os personagens representam elementos da psique, todos esses seres que co-habitam meu ser. Eu sou o meu ego, meu irmão é meu animus e a mulher-travesti mal-amada é uma parte de minha sombra. Despindo o ego de seu orgulho altivo, percebo que ele não é independente e tampouco hábil para realizar todas as tarefas (em vários sonhos anteriores, quando eu dirigia o carro, ele se comportou de modo arisco e desobediente). Além disso, aceitar a sombra (ou parte dela com que tive contato) leva a um equilíbrio dinâmico.

dream_20072018

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